O ano de 2020 começou melhor do que nunca pra mim. Depois de muito tempo tirei férias, e além de me desligar um pouco do trabalho para renovar as energias, aproveitei este tempo para realizar alguns sonhos. Entre eles, correr a minha primeira maratona, que por acaso foi internacional, e também foi na Disney. O que para mim equivale a um sonho triplo!
Sendo assim, eu não deixaria de compartilhar aqui um pouco dessa experiência com você. Mas, como já existe muito conteúdo sobre a maratona da Disney na internet, vou tentar explorar alguns detalhes que foram novidade para mim lá, apesar de tudo que eu já tinha lido antes.
Na verdade essa parte durou realmente muito tempo. Comecei a planejar com mais de um ano de antecedência, e nem era pra ser a minha primeira maratona, na verdade. Tinha receio de fazer a primeira fora do país e, de repente, passar mal ou algo do tipo. Planejei Porto Alegre que seria 7 meses antes, mas como nada sai exatamente como planejado, uma mistura de lesão com falência da Avianca se uniram para me deixar em São Paulo mesmo.
Fiquei acompanhando o site para ver quando abririam as inscrições para a Disney. Me inscrevi na primeira semana após a abertura, e fiquei acompanhando todas as inscrições se esgotarem.
Oferta e demanda nunca falha. Muita gente corre 5 km, poucas pessoas correm 78 km. As inscrições acabaram na ordem da Marathon Weekend: primeiro 5 km, depois 10 km, depois a Meia e a Maratona. Os desafios do Pateta e do Dunga duram mais alguns dias, mas em menos de um mês tudo se esgota no site oficial.
Depois disso, demora muito para surgir alguma novidade. Muitos meses depois divulgam o design das medalhas. O percurso nunca tem muita surpresa: passa por todos os 4 parques da Disney em Orlando que é o que torna a experiência mágica. Neste ano o percurso também incluiu o parque aquático.
A famosa feirinha do kit é uma atração à parte. A começar pelo complexo da ESPN que é gigante, e como tudo na parte turística de Orlando, muito bem conservado.
Tem muita gente trabalhando na orientação das pessoas, distribuição de kits, segurança, alimentação, limpeza e tudo o que se possa imaginar. Aliás, a organização e o tratamento humano é o que mais chama a atenção a partir daqui. Você nunca fica perdido, e se ameaça uma cara de perdido, sempre vem alguém oferecer ajuda.
Isso me faz pensar que o mindset da organização está em outro nível no que se refere a experiência do cliente/atleta.
Não trouxe o documento assinado? Não tem problema, tem uns 20 computadores e impressoras para você imprimir e assinar na hora
Não gostou do tamanho da camiseta? Tem um guichê exclusivo com funcionários organizando a troca de tamanhos entre participantes
Apesar desse ponto positivo, acho que fui com a expectativa muito alta para as possíveis compras. Sinceramente, não tinha muita coisa que a gente não acharia por aqui. Nenhuma marca grande estava presente, e o design das peças disponíveis na loja oficial era fraco, fazendo com no fim das contas, nada valesse o preço.
A largada seria às 5h e o estacionamento fecharia às 3h30 da madrugada, por isso acordei às 2h para chegar às 3h e estacionar com tranquilidade. O intervalo de 2h foi ótimo pra mim que tinha ido pela primeira vez e via tudo como novidade.
Estacionar na Disney é tão fácil e simples que eu me senti um idiota por ter me preocupado com isso. Um pouco de organização e inteligência e tudo é resolvido.
Fiquei com receio de usar o guarda volumes (não gosto de usar nas provas daqui também), por isso não sei se tinha algo diferente nisso.
Uma coisa que eu nunca vi em nenhuma prova que eu fiz e era a maneira mais óbvia de a organização monetizar no dia, era uma lanchonete oficial. De maneira extremamente inteligente no pré prova eram vendidos itens de café da manhã e isotônicos, e no pós prova cerveja e champanhe para as comemorações. Obviamente tudo a um preço absurdo, mas com ótimos resultados de venda. Nada como estar no lugar certo, na hora certa, vendendo a coisa certa.
De maneira geral, o tempo passa rápido. Um fica DJ no palco tocando músicas animadas para aumentar ainda mais a ansiedade entre um anúncio e outro. Cada fila para tirar fotos com personagens tem pelo menos 3 funcionários organizando tudo, o que faz com que ninguém consiga monopolizar o momento, e todo mundo consiga levar essa lembrança para a vida.
E não menos importante do que todos estes detalhes: MUITOS banheiros químicos. Pelo menos 500 cabines (chute completo) entre o estacionamento e a linha de largada.
A largada é um momento especial, mas com alguns detalhes decepcionantes para quem vai fazer a primeira maratona, como era o meu caso.
Sem ter como comprovar o tempo de uma maratona anterior, ficamos (eu e a consagrada @carolinamorettii que me acompanhou em toda essa aventura) no “Corral J”. A largada era em ondas, sendo que os profissionais largavam no Corral A, e os mais lentos, a partir de cada faixa de tempo comprovada, largavam nos demais.
O sistema de largada em ondas é excelente para quem consegue comprovar o tempo exigido, mas para quem faz a primeira vez a distância e é mais veloz do que a maioria dos participantes a experiência é horrível. Numa prova que é mais turística do que voltada para performance, com cerca de 10.000 pessoas na largada, o resultado para mim foi largar 30 minutos após a largada dos profissionais, correr os 6 km iniciais pela grama ao lado da estrada, e conseguir achar pessoas correndo mais ou menos no mesmo ritmo só depois da meia maratona.
Se pudesse mudar uma coisa nessa prova, seria passar a aceitar provas de tempo de outras distâncias para organizar melhor os lotes de largada.
Tirando isso, só alegria! Caixas de som tocando clássicos da Disney, personagens fazendo graça no palco ao lado, e fogos a cada onda de largada. Mágico como toda a experiência Disney.
Minha percepção é que esta prova não é para tempo. Apesar de não ter nenhuma subida absurda, os parques têm muitas curvas e pontes, o que dificulta muito a sustentação do ritmo. Mesmo nos trechos de estrada, que são a maioria, me lembro de pelo menos 3 pontezinhas para passar por cima ou por baixo, que não foram uma coisa lá muito agradável.
A parte boa da prova é prestar atenção na Magia Disney! Para quem se deixa envolver, há atrações por todo o percurso. A presença de personagens faze com que filas se formem nas laterais do percurso. Além disso, bandas marciais, telões com trechos de desenhos e caixas de som complementam toda a experiência pelos 42,195 km.
Pelo fato da prova acontecer em um período de alta temporada para os parques, muitas pessoas apareceram para torcer pelos seus familiares durante o percurso, o que sem
dúvida me deu um gás nos momentos mais sofridos da prova.
Apesar de toda essa festa, como eu já disse, o que mais me chamou a atenção foi a organização do evento e o cuidado com o atleta. A cada 2 milhas, ou 3,2 km, havia um posto de hidratação, e todos, sem exceção, ofereciam isotônico além da água. Mais ou menos a cada 2 postos de hidratação havia também postos médicos, onde voluntários distribuíam vaselina e creme para dor em tubos gigantes para quem precisasse. Alimentação também não faltou: banana, balinhas repositoras de carboidrato e até chocolate Hershey’s tinha no caminho.
E a cereja do bolo, foi a recepção na chegada. Após a linha de chegada estavam armados 2 grandes postos médicos, com voluntários prontos para atender a qualquer morto vivo que tivesse um pedido.
Sendo eu um deles, não recusei a oferta. Pedi que me amarrassem com papel filme 2 sacos de gelo, 1 em cada coxa, e assim foi feito.
Andando um pouco mais pra frente, o brinde finisher: um chapéuzinho com orelhas do Mickey, que foi a lembrança mais especial que trouxe de lá. Depois disso, só uma caixinha com um lanche e a belíssima medalha.
O primeiro ponto é em relação a minha visão como participante da prova. Se você estiver com dúvidas sobre fazer ou não esta prova, deixe todas as suas dúvidas para lá. Foi uma das experiências mais incríveis da vida.
Olhando por um ponto de vista um pouco mais crítico, a organização é excelente, mas não se deixe enganar e julgar que podemos fazer algo parecido por aqui. Afinal de contas a inscrição me custou 200 dólares, e seria praticamente impossível encher uma maratona com um valor compatível aqui, simplesmente porque seria um valor absurdo.
Este valor multiplicado pelos milhares de corredores participantes paga pelos pontos de água e isotônicos, suplementos, sinalização, atrações, mas tem coisas que não custam tanto assim, e depende muito mais da vontade do organizador. A atenção e cuidado do staff por exemplo, com um pouquinho mais de dedinho do dono, ou responsável pela organização, dá pra melhorar muito.
Por isso, acho que é obrigação de qualquer organizador começar a olhar mais para o que acontece fora do que para os concorrentes regionais. As empresas nacionais parecem ter estacionado numa mesma fórmula, e desistido de buscar o novo e o melhor, o que faz com que muita gente desanime, por cada fim de semana ser mais do mesmo. Sempre há o que melhorar.