Neste post falamos da importância de pensar na sua assessoria esportiva como um negócio, e como todo o negócio, o cliente, seu aluno, deve ser prioridade!
Se você nunca ouviu falar de assessorias esportivas, basicamente são empresas que oferecem orientação e suporte de profissionais para a prática de atividade física. Em São Paulo, o foco da maioria das empresas desse tipo é a corrida.
Há mais ou menos 2 anos comecei a treinar em uma assessoria, e, sem dúvidas, foi o que mais colaborou para dar um boom na minha performance. Sempre gostei de correr no meu limite, mas treinando errado, esse limite nunca foi lá grande coisa. Depois que decidi investir um pouco e dar uma chance pra coisa, em menos de um ano saí da casa dos 46 min para os 39 min nos 10 km. Isso aconteceu porque passei a seguir um plano, e com a orientação adequada, encaixei os treinos certos para o meu objetivo na minha rotina. Sinceramente, não sei se consigo voltar a treinar por conta.
Mas hoje, o que quero colocar em pauta é a visão das assessorias como negócio.
Quando entrei dita cuja, acreditando numa marca conhecida, que já tinha visto em algumas revistas de corrida, num primeiro momento fui muito bem recebido. Pelo menos na mais básica das atividades comerciais, estavam bem treinados: atender bem o cliente novo para fidelizar.
Do meu lado, sair de nenhuma orientação para alguma orientação, tinha melhorado muito a minha corrida. Tudo perfeito.
Quando passei a não ser mais cliente novo, as planilhas começaram a atrasar todo mês, e as mensagens no whatsapp com as minhas dúvidas às vezes demoravam mais de uma semana para ter uma resposta. Fui deixando me enganar por algum tempo. Afinal, empresas são feitas de pessoas e as pessoas erram às vezes
Com mais um pouco de tempo percebi que os treinos valiam mais a pena serem feitos na esteira da academia. Os presenciais da assessoria eram num parque escuro, cada um por sua conta, marcando tempo e distância no próprio relógio, com um professor que parecia nunca ter feito uma prova de 10 km na vida, que provavelmente estava lá mais preocupado em tomar conta da caixa de água que ele deixava para os alunos em cima do banco.
O fim do mundo para mim foi quando fui acompanhar a minha namorada numa prova em que a assessoria estava presente com uma tenda para dar apoio aos alunos. Neste mesmo dia, antes da largada do circuito das estações no pacaembu, eu, já apaixonado e viciado pelo esporte acompanhava no meu celular a prova que daria o recorde mundial para Kipchoge, em Berlim.
2:01:39
Que chegada! Que emoção! O abraço no técnico. Milhares de fotos no instagram me lembrariam pelo resto da semana daquele momento histórico que a tecnologia me deu a oportunidade de acompanhar ao vivo, de lá do pacaembu, enquanto ela terminava o aquecimento.
Dada a largada, vou pra tenda conversar com o pessoal da assessoria.
Aí me brochou de vez!
Quem tem a coragem de trabalhar com esporte tem que amar o que faz! Todo mundo entra nessa sabendo que não é a profissão que normalmente te deixa rico.
Eu não fiz faculdade de educação física, mas imagino que o foco não deve ser como estruturar uma empresa, ou como fazer o melhor atendimento ao cliente. Apesar disso, na minha opinião, é obrigação de quem presta o serviço.
Meu amigo, o recorde mundial do seu esporte… você tem que saber! Você tem que ser o primeiro a saber! Nem que seja para falar com tom de curiosidade para os alunos que correm por correr.
No final: perdeu. Troquei de assessoria pelo conjunto da obra. E pensando hoje com mais clareza, julgo que o pecado deles foi achar que o negócio seria tão simples quanto colocar uma caixa de água no banco do parque.
Não é.