Você é daqueles que fica esperando o ano inteiro para assistir a São Silvestre e a Volta da Pampulha na tv? Já pensou se existisse um Netflix feito especialmente para os corredores, onde você pudesse assistir a milhares de provas gravadas e ao vivo durante o ano através de uma plataforma só com conteúdos de corrida? É exatamente assim que a Flotrack vem fazendo o maior sucesso nos EUA.
Há alguns dias atrás, iniciamos uma série de posts para falar sobre os diferentes negócios no mundo do esporte. A ideia desta série é mostrar aos leitores da HOC iniciativas que poderiam ser mais exploradas no Brasil. Afinal, quem sabe não podemos inspirar alguns de vocês a investir em algumas dessas iniciativas? Assim, teríamos mais gente trabalhando com o que gosta e o nosso querido esporte teria espaço para crescer cada vez mais.
Dessa maneira, neste post vamos dar continuidade com a série Negócio do Esporte falando da Flotrack. Essa empresa presta um serviço que, na minha opinião, se tivéssemos em terras tupiniquins, teria um papel importantíssimo no aumento da visibilidade da corrida.
Resumidamente, a história da Flotrack não foge muito daquela história dos jovens que arriscaram tudo para fazer aquilo que amam. Foi assim que alguns atletas do circuito esportivo universitário americano se juntaram para dar mais visibilidade aos seus respectivos esportes sub representados, fundando a Flosports.
Não vou me estender muito nessa parte, porque o vídeo abaixo conta uma história muito melhor do que eu poderia escrever aqui.
A Flosports é uma empresa que produz conteúdo escrito e em vídeo, além de transmitir campeonatos de diversos esportes ao vivo pela internet. Flotrack, como o próprio nome já diz, é a divisão focada em track and field, ou atletismo, em português.
Conheci a empresa procurando vídeos de corrida na internet, e acabei achando o canal do youtube que já conta com mais de 200 mil inscritos em 3 anos de existência. Lá eles postam todos os dias, variando entre vídeos de campeonatos profissionais e universitários, treinos de equipes e entrevistas com atletas e treinadores. Além disso, eles sempre fazem compilados dos momentos mais empolgantes filmados por eles, como os kicks of the week, ou sprints da semana.
O faturamento da Flotrack vem principalmente de 3 maneiras. A primeira é a mais comum para toda empresa de conteúdo: publicidade. Tanto no site, quanto nos vídeos do youtube o espectador é impactado por anúncios de diversas marcas, o que não é muito charmoso, mas faz parte.
A segunda fonte de renda da Flotrack é a produção de conteúdos patrocinados. Com vídeos que já chegam a milhões de views, eles já são procurados por grandes marcas, como a Asics, por exemplo, para gravar entrevistas com seus atletas patrocinados. Isso já gera um pouco mais de receita do que a publicidade online em si.
A última e mais interessante maneira que eles usam para ganhar dinheiro é o serviço de assinatura a conteúdos exclusivos. Ou seja, dentro do portal da Flotrack existe a versão do Netflix para fanáticos por corrida. O valor mensal cobrado pelo serviço é de $ 12,49, o que daria cerca de R$55,00 nos valores de hoje. É o preço de ser um serviço ainda bem nichado.
A verdade é que no Brasil muita gente corre, mas pouca gente entende de corrida. Ninguém sabe o nome dos principais atletas brasileiros da atualidade, e ninguém conhece a história da corrida no Brasil. Para piorar as coisas, todo o tipo de conteúdo é muito voltado aos básicos do “Como correr seus primeiros 5 km” e do “Correr com ou sem fone de ouvido?”
Logo, ao meu ver, se houvesse ampla disponibilidade de conteúdo sobre corrida de verdade, com amadores locais correndo 10km para 30 minutos numa prova no Piauí, e imagens de qualidade de treinos de gente grande, as pessoas iriam pegar o espírito só de ver.
Além disso, com uma nova maneira de contar histórias, muitos corredores sairiam do status de coitadinho que tem tempos de profissional mas implora por patrocínio a vida inteira, para o status de monstro que está no pódio todo o fim de semana. Tudo depende da roupagem que se dá, e com certeza com essa segunda roupagem os patrocínios viriam mais fácil, mais gente iria querer correr forte e o nível do esporte seria maior.
A boa notícia é que ninguém ainda está nadando nesse oceano azul. Quem se habilita?