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Branding Nike Vaporfly

O Branding e o clubismo na corrida de rua

Muita gente acha que marketing é pura firulagem, mas já foram envolvidos por ele sem nem perceber. No mundo da corrida algumas marcas sempre estiveram em evidência. Sempre houve a guerra saudável entre Nike e Adidas, por exemplo. Mas, existem outras marcas fortes mundialmente: Asics, New Balance, Brooks, e Saucony são os exemplos disso.

Obviamente todas essas marcas sempre concorreram entre si pela preferência dos nossos pezinhos de unhas pretas (ou sem unhas), e em algum momento sempre optamos por alguma em detrimento da outra. Afinal de contas, ganhar dinheiro nunca foi fácil, quem dirá gastar todo ele em tênis.

Mas, para chegarmos nessa decisão, por menos perceptível que seja, algo foi sendo forjado na nossa cabeça por diversos contatos que fomos tendo com essas marcas ao longo do tempo. Antes de comprar o tênis, provavelmente você leu sobre ele na internet, ou viu um atleta usar, ou já tem uma peça da mesma marca no guarda roupa, ou pegou uma boa promoção, e tudo isso junto e misturado te levou a construir um conceito dessa marca na sua cabeça. A partir deste conceito, você avaliou, também de maneira inconsciente, se ele se encaixa ou não no seu gosto pessoal, e no fim das contas, decidiu comprar um tênis ao invés de outro.

A estratégia das grandes marcas

As marcas com mais capacidade de investimento, consequentemente tem mais acesso a pesquisas de mercado personalizadas, estudos de tendência, e outras ferramentas que fazem com que os tiros dados no design de produtos e comunicação de marca, funcione como uma bala de prata no nosso pobre coraçãozinho consumido. Além disso, elas conseguem ter uma presença muito maior em todas as mídias, e aos poucos, com consistência, vão formando um público fiel, que se identifica profundamente com tudo que elas representam.

Até onde o Branding pode chegar

Algumas vezes a identificação de um consumidor pela marca se torna tão forte que pode ser comparada à paixão de um torcedor pelo seu time de futebol. Por exemplo: É fácil achar nas redes sociais quem declare amores por um tênis, ou até quem só use roupas de uma determinada marca, sem ganhar absolutamente nada por isso. 

Porém, agora na corrida, começa a surgir um perfil muito específico de fanatismo que já é figurinha carimbada no futebol: o Clubista. Esta espécie magnífica de ser humano tem como principal característica refutar qualquer argumento lógico que o leve para um pensamento contrário à paixão dele.

Um exemplo atual e prático

Esse comportamento ficou muito claro para mim há algumas semanas com o lançamento do novo modelo da Adidas com placa de carbono. 

Há mais de uma ano a Nike vinha dando uma lavada nas concorrentes no que diz respeito à inovação no tênis de corrida, trazendo para o mercado o conceito do tênis com placa de carbono embutida no solado para dar mais responsividade nas passadas.

Esse conceito se provou vencedor. Vários recordes foram batidos por atletas que calçavam a nova ferramenta, que resultou inclusive na formação de um comitê especial na Federação Internacional de Atletismo, para avaliar se a nova tecnologia seria considerada ou não “Doping Tecnológico”, pregado por alguns concorrentes, e por muitos torcedores “anti Nike”.

A teoria do doping caiu, e as outras marcas já estavam engatilhadas com o lançamento dos seus modelos concorrentes, com a mesma tecnologia (algumas marcas já haviam lançado também seu modelos antes da decisão). Ao longo das semanas alguns lançamentos foram surgindo até a outra gigante, Adidas, anunciar seu novo calçado.

A internet foi a loucura com o lançamento, e os torcedores fanáticos da Adidas morreram de felicidade. O que antes era doping, virou a maior maravilha da humanidade.

Conclusão

A minha opinião em relação às marcas e ao dito “doping” não cabe aqui. Mas fico feliz de algumas marcas terem criado um vínculo tão estreito com seus consumidores a ponto de percebermos um tipo de relação próximo ao que vemos entre um torcedor e seu time de futebol. Isso certamente, não foi fácil, nem rápido e é resultado do trabalho de muita gente competente.

Agora, será que podemos sonhar com o dia em que o mercado de running chegará aos pés da grana que rola no futebol?

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